Bali-Port Hedland

antes... Singapura-Bali

   
    Como decidimos ficar mais um dia em Bali, para descansar das emoções do voo para Singapura, decidi ir ao avião para buscar roupa. Telefonei ao nosso agente de Handling, que de imediato se prontificou a conduzir-me ao aeroporto. Meia hora depois estávamos a caminho, e enquanto pensava com os meus botões o que a policia e a alfândega iriam perguntar sobre as razões daquela deslocação ao avião, vi que o condutor se dirigia para uma porta secundária, onde com uma breve paragem e uma caixa de bolos resolveu de imediato a situação. Cheguei ao avião em menos de cinco minutos. Mais cinco minutos e estava de regresso ao Hotel com tudo resolvido. Se pensarmos que ainda não há muito tempo sofreram um terrível atentado, é de facto espantoso, ou então temos cara de boas pessoas.
     Com a mesma celeridade conseguimos descolar para Port-Hedland, o nosso ponto de entrada na Austrália, às 01:35 UTC, onde chegámos seis horas depois, cerca das 07:30 UTC. Foi um voo muito agradável, com bom tempo e com grande expectativa, tentando imaginar o que teriam pensado os primeiros navegadores que aportaram a estas paragens. A certa altura, cercado de água até onde a vista podia alcançar, resolvi ouvir música. Embrenhado que estava nesta contemplação, fui despertado pela voz do Carlos do Carmo que cantava: "Mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas das mães de Portugal" . Dificilmente encontraria palavras mais bonitas para descrever o que me ia na alma nesse momento .
    Port-Hedland é, como o nome indica, um porto no meio de nada, numa zona completamente plana, que de imediato sugere a enorme vastidão deste país.
    Começámos a avistar alguns barcos ancorados ao largo e finalmente uma fina linha de terra avermelhada. Estávamos finalmente na Austrália!
    O aeroporto situa-se a poucas milhas da costa onde aterrámos em contacto com Melburne Center, (a grande distância dali ) uma vez que não há controladores, apesar de ter descidas por instrumentos e ser frequentado por todo tipo de aviões, incluindo jactos das linhas regulares. Fomos recebidos pela alfândega e pelos serviços de saúde, que desta vez nos autorizaram a sair do avião antes de o pulverizarem com um insecticida, que é o procedimento normal para todos os aviões que chegam do "exterior". Aguardámos algum tempo pelo combustível que estava algures a abastecer noutro local, mas à hora marcada chegava ao pé de nós e rapidamente terminou o serviço com um preço por litro bem simpático, se compararmos com a Grécia e mesmo com Portugal; menos de metade! Seguimos a pé para um modesto hotel à beira da estrada, que nos surpreendeu agradavelmente pois tinham um quarto preparado para deficientes, o que, como calculam, facilita muito a vida ao Cte Faria e Mello. A comparação com a situação em Portugal foi inevitável, onde, mesmo nas grandes cidades e em hotéis ditos de qualidade, não existe esta disponibilidade.
    Estava a decorrer um barbecue ao ar livre nos jardins do hotel onde nos integrámos, conduzidos pelo gerente, que, por coincidência, também era piloto. Podem facilmente adivinhar qual foi o tema de conversa durante o jantar...


Delfim Costa

a seguir... Port Hedland-Northam

 

 
  © Antonio Faria e Mello - Wings of Stubbornness - 2003