O Pensamento de um Earthrounder

Ser louco ou não ser, eis a questão....

Que estranha força é essa, que empurra um homem para a descoberta do desconhecido, arriscando a sua vida de uma forma, aparentemente, gratuita e sem sentido?
Porque razão, um homem que vive nas “baias” da vida morna dos dias iguais, resolve sair de casa e meter-se numa aventura da qual não sabe se escapará com vida ?
Estaremos nós perante pessoas loucas e sem qualquer amor à vida ?
Quem poderá responder a este tipo de perguntas ?
Filósofos, psicólogos, etc, etc , tem, por certo respostas elaboradas baseadas em extensas bibliotecas, mas ao comum dos mortais caberá uma inegável certeza.
No fim da linha de muitas das aventuras levadas a cabo com sucesso ou não, uma coisa ficará sempre gravada a letras de ouro :

A experiência que enriqueceu o homem desse tempo e daqueles que se lhe seguiram, traduzida em mais passos em frente no progresso da Humanidade

António Faria e Mello
Deficiente Motor Piloto Aviador
Earthrounder (1995)
Lisboa – Portugal

O PROJECTO
Há sempre uma razão ...

Tinha lido que, em 1984, um Deficiente Motor Piloto Aviador, dera “sozinho”, a Volta ao Mundo num avião monomotor, referia também que ele pertencia a uma associação chamada “Califórnia Wheelchair Aviators“, sediada em Escondido, perto de S.Diego (EUA).
Meti na cabeça: “...tenho de conhecer este tipo...”.
Se depressa o pensei, mais depressa o fiz.
Decorria o ano de 1987. Voei num avião comercial para os EUA. O encontro com Rode e Bill Blackwood, Presidente da CWA, teve lugar no aeródromo de Palomar (Califórnia)e, posso dizer que ele mudou o curso da minha vida.
Rode era uma homem extraordinário (faleceu no dia 16/09/02 ), combatera na guerra Sino Japonesa, nos famosos “Flying Tigers”, debaixo das ordens do famoso General Chennault. Mais tarde também andara pelos teatros do Pacífico e da Coreia. Transpareciam nele, uma força e determinação incríveis, “temperadas” por uma humildade sem limites.
Nesse dia em Palomar, tive oportunidade de voar com Bill Blackwood (ele também, deficiente em cadeira de rodas).
O meu destino, ao que parece arrependido do que me fizera 10 anos atrás quando me ofertara uma cadeira de rodas para todo o sempre, resolveu “emendar a mão”.
Encarregou o Rode, para me “fazer a agulha” para outros rumos, outros céus.
Ao Rode, só lhe bastou começar a falar, pois ouvi-o com todo o meu ser.
As suas palavras foram como que, sementes que caíram na terra fértil dos meus sonhos - todas nasceram.
E o meu DESTINO conseguiu o que queria.

Em 1995,”sozinho” aos comandos de um Beechcraft Bonanza F 33 A, dava a Volta ao Mundo (no sentido Oeste/Este).

Rode Rodewald, não me falara em vão. A minha ida aos EUA, para o conhecer, penso tê-lo impressionado.
Paz à sua alma, fica – me a recordação do grande piloto e do homem que mudou o curso da minha vida.

AGORA, o novo Projecto
Mais uma vez, sou apanhado no redemoinho da aventura, nessa mística que, a ninguém sei explicar (o terceiro meeting dos Earthrounders na Austrália é apenas uma desculpa) .

Tentarei dar outra vez a “VOLTA AO MUNDO” (infelizmente por motivos técnicos não poderei voar no sentido Este-Oeste, como mais gostaria).
E..., se tal conseguir, serei:
O ÚNICO DEFICIENTE MOTOR PILOTO AVIADOR com DUAS “VOLTAS AO MUNDO” no seu palmarés.

 
 

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  © Antonio Faria e Mello - Wings of Stubbornness - 2003